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Uma falha necessária.

Eis que depois de tantas polêmicas relacionadas à escalação de Scarlett Johansson para o papel principal, chegou a tão aguardada adaptação do Anime/Mangá “Ghost in the Shell“.

Neste texto, não vou me referir ao nome “A Vigilante do Amanhã”. Esta aberração entra para a história como um dos títulos de filmes mais sem sentido com o conteúdo que já foram criados em terras tupiniquins. Você pode atrair o público que não conhece o material sem deturpar tanto o contexto. “O Fantasma do Futuro” – nome dado para o longa de 1995 – soaria mil vezes melhor e coerente. Parabéns a distribuidora pela “sábia decisão”.

Aqui, vou na tática do “bate-e-assopra”.

O didatismo escancarado do filme salta aos olhos. É aquela cutucada da pessoa que sempre avisa o que vai acontecer na próxima cena (olha lá! É agora que…). Você se irrita e pede para a pessoa se controlar. Quando é um fato isolado, você se permite esquecer aquele incidente e continua aproveitando a sessão. Porém, ela insiste em fazer isso o tempo todo. Aqui, quem faz este papel desagradável é o roteirista. Durante a maioria do tempo, ele aponta para as soluções “água-com-açúcar”, pegando os espectadores pela mão como crianças de 8 anos. A grande sorte dele é que o material de origem é muito bom e os seus resquícios sustentam o longa, junto com uma ou outra ideia aplicada no enredo.

Bem, mais ainda estou batendo. Então, ao próximo ponto: O antagonismo no filme vai de nada para lugar nenhum.

Ao focar todas as atenções para os dilemas vividos pela Major, o restante pareceu alheio. Quase que sem importância. Estava lá apenas por estar. Somado ao bê-á-bá aplicado, os interesses ficam diluídos e transformam estes personagens em meros “chefões de fase”. Um desperdício.

Mesmo com tudo isso, ainda é um filme necessário.

Visualmente falando, é maravilhoso. Todos as cenas adaptadas do longa homônimo estão sensacionais. O mundo cyberpunk visto ali foi muito bem ambientado. O contraste das cores vivas nas grandes metrópoles com o cinza que é deixado para regiões mais periféricas. Os efeitos especiais ajudam MUITO a história e conseguem retratar este futuro distópico.

A questão da linguagem está muito bem inserida no filme. Ora, se trata de um futuro em que máquina e homem estão integrados. Onde pessoas transmitem a sua própria memória por rede para que outra pessoa possa ver e ouvir aquele momento. Uma população que fala em seu idioma nativo e que, por meio da tecnologia, escuta qualquer outra língua como se fosse a sua. O homem sendo parte da rede e não apenas a controlando.

Outro ponto muito bom do filme é mostrar, mesmo que rapidamente, a questão do acesso a tecnologia. Quem não tem condições, não consegue ser parte dessa rede. Isso demanda, por exemplo, que uma pessoa se esforce para poder se comunicar em inglês, em uma das melhores cenas. Se o roteirista teve um acerto, foi nesta inserção.

Adaptações de animes são bem-vindas e é importante que o primeiro passo tenha sido dado, mesmo que cambaleante. Há uma infinidade de ótimas histórias a serem contadas (Akira, Cowboy Bebop) e as portas foram abertas para que novas produções sejam feitas e que as lições sejam aprendidas. Assim espero.

Em dado momento no filme, é citado que falhas são necessárias para obter a perfeição.

Então ok. Acho que entendi o recado.

Written by Rafael Tavares

Cada ano mais chato.
Vejo de tudo, mas isso não significa que gosto de tudo o que vejo.

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