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Sobre ser tudo, menos o que você é.

Todos nós já vivenciamos uma situação (brutal ou não) de adversidade que nos forçou a criar uma casca contra aquele veneno em específico. Você não é mais a mesma pessoa ou apenas não deixa mais que tudo aquilo venha à tona. Pois, apesar dos pesares, precisa ser forte para aguentar e continuar em frente.

“Moonlight” trata desse ponto com extrema personalidade e relevância. É uma história que precisa ser contada e vista por todos. Somos convidados a seguir três atos da vida de Chiron (Little, Chiron e Black) e compartilhar de todos as suas descobertas, medos e inseguranças. Tudo isso sendo calcado pela mensagem pertubadora que vai se formando ao longo do filme:

O mundo não o quer do jeito que você é.

E é aí que o roteiro se justifica, pois a história poderia ser ambientada de mil e uma maneiras. Mas o enfoque dado é certeiro. Um rapaz do subúrbio de Miami que: não consegue se sentir à vontade com os colegas na escola; tem uma mãe viciada em crack e que simplesmente ignora o filho; precisa encontrar alguém para trocar as poucas palavras que – muitas vezes – lhe são roubadas e que o impedem de conseguir exprimir o que sente. Tudo apresentado de uma forma nada maniqueísta.

Seu tortuoso caminho traça paralelos assustadores com o que encontramos na nossa sociedade. Quando a ignorância/violência aplicada é tamanha, que acaba entorpecendo toda e qualquer aspiração daquele indivíduo. Quando tudo o que resta é a reconstrução com a angústia de se enclausurar em um ponto em que ninguém possa ver a pessoa que é.

Ou a pessoa que deseja ser.

Written by Rafael Tavares

Cada ano mais chato.
Vejo de tudo, mas isso não significa que gosto de tudo o que vejo.

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