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Nós, Daniel Blake.

Um calvário governamental.

Muitas vezes, usamos o cinema como escapismo. Para fugir que tantas coisas que nos atormentam, problemas que enfrentamos,  horas perdidas em processos inúteis que nos esgotam. Tudo para que possamos “reaver” o tempo perdido com tudo o que não gostamos. São sessões em que sentamos, esquecemos da vida “lá fora” por 2 horas e saímos inflados por histórias fantásticas.

E este filme trata de um tema fantasticmente real. E que nos traz de volta ao que realmente precisamos ver: a verdade. “Eu, Daniel Blake” é a história de um inglês de 60 anos que está afastado por problemas de saúde e que precisa obter o seu seguro desemprego, para continuar sobrevivendo.

Para quem não sabe (assim como eu): a verdade é que a Inglaterra tem os seus problemas internos, assim como nós. E sofrem com a burocracia governamental, assim como nós. E que tem pessoas passando por dificuldades em encontrar emprego, assim como nós. Em que cidadãos buscam atividades paralelas que garantam o mínimo possível para a sobrevivência, assim como nós. Em que pessoas ainda conseguem se abster e serem apenas cúmplices de um processo falido e feito para que você não seja parte dele. Mesmo quando tudo o que queremos é apenas respeito.

Cada cena é um soco no estômago. Uma amostra da insignificância que a maioria da população sente quando depende de um serviço público e tem que batalhar contra a burocracia bizarra. A dose ácida de humor que é inserida faz muito bem o seu trabalho em aliviar os espectadores, mas sem tirar o peso que a história pede. Afinal, se trata de um retrato de uma ferida muito aberta na nossa sociedade e isso não pode (e nem é, neste caso) relegado à segundo plano. As sequências tocantes fazem qualquer pessoa, com um mínimo de reflexão, se emocionar. Impossível não fazer uma relação com alguma história que você já tenha escutado. Seja de um amigo, de um parente, um conhecido qualquer.

E o pior disso tudo: em algum momento, você vai se deparar com essa situação. Direta ou indiretamente. Queira ou não. Esta máquina está feita para te engolir, quando for necessário.

Ainda bem que fui ver este filme.

Afinal, também sou Daniel Blake.

Written by Rafael Tavares

Cada ano mais chato.
Vejo de tudo, mas isso não significa que gosto de tudo o que vejo.

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