Share, , Google Plus, Pinterest,

Print

Posted in:

Grandiosidade pode ser qualidade.

Christopher Nolan é um megalomaníaco. Seus filmes sempre tendem a dar um enfoque – por vezes desnecessários – grandiloquente nas histórias que conta. Já enveredou pelo suspense, ficção científica e pelo tão adorado/odiado filme de super-herói. Mas é em “Dunkirk” que – acredito eu – podemos ver o diretor esmerilhar toda a técnica que foi sendo apurada ao longo dos anos, com os erros e acertos de sua filmografia. O filme trata da retirada dos soldados ingleses que foram encurralados na praia de Dunkirk, enquanto os alemães atacavam as trincheiras levantadas pelos franceses para que aqueles soldados pudessem ser evacuados.

Desde a sequencia de abertura do filme somos puxados para o vórtice inescrupuloso da guerra, mas de uma forma que não há bandeiras, ideais e muito menos heroísmo. É a batalha pela sobrevivência e o nível de humanidade (ou a falta dela) que tais momentos forçam. E tudo isso dividido em três frentes: terra, céu e mar. A forma como todos os eventos foram inseridos e abordados no filme é brilhante. Personagens entram e saem de cena e você não tem sequências melodramáticas em que, em meio ao caos, alguém puxa uma foto da família e lembra dos entes queridos que estão seguros em suas casas. Aqui, a luta é única e exclusivamente pela vida. Um enorme acerto neste filme foi a escolha do elenco (talvez Nolan tenha percebido um “dom” no Tom Hardy com máscara no rosto e voz abafada…) e não trabalhou com atores que poderiam comprometer o filme por serem famosos, o que acabaria desviando a atenção do espectador e tirando a veracidade das situações em que são inseridos. Os soldados são tão parecidos fisicamente que você não consegue distingui-los em meio ao batalhão.

A trilha sonora deste filme é nada menos que espetacular. É um filme para ser apreciado no cinema, com o melhor som possível. A experiência sensorial não se compara. Você se sente em meio ao bombardeio e, dependendo da sala em que estiver assistindo, acaba se afundando na cadeira de tanta tensão. Hans Zimmer faz aqui o seu melhor trabalho nesta longa parceria que tem com Nolan. 

Confesso que fui ao cinema receoso, pois não gosto tanto de “A Origem” como tantas pessoas e menos ainda de “Interestelar”. Porém, este filme me causou um impacto extremamente positivo, considerando o fato de ser: 1) um filme blockbuster com um refinamento técnico tão grande; 2) um recorte da Segunda Guerra em que a vilania e todos os clichês tão utilizados por filmes que retratam esta época ficam totalmente de lado; 3) o cuidado em mostrar que, no fim das contas, o ser-humano é movido pelos seus medos e irracionalidade.

Tudo isso embalado em um pacote megalômano que somente Nolan poderia entregar, mas que funciona perfeitamente com a proposta apresentada.

Written by Rafael Tavares

Cada ano mais chato.
Vejo de tudo, mas isso não significa que gosto de tudo o que vejo.

10 posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *